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Aquecimento Global e a situação em Rio Grande
15/12/09
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O futuro climático das nações em debate
15/12/09
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10/12/09
Pedro me recebe com efusão e alegria em sua casa, casa simples no meio do povo e da comunidade. Quer logo saber das notícias, do que anda acontecendo. Quer saber da Dilma, ministra e candidata a presidente. Quer saber da Marina Silva, também candidata. Quer saber de Gilberto Carvalho, Chefe de Gabinete do presidente Lula, que ficou de vir pescar no Araguaia em algum final de ano e nunca cumpriu a promessa. Quer notícias do que anda acontecendo no Brasil, no governo Lula e na sua amada América Latina.
Com todos os seus problemas de saúde, Pedro, como gosta de ser chamado, que é D. Pedro Casaldáliga, marcou presença no lançamento do Pescando Letras, Projeto de Alfabetização de Pescadores e Pescadoras artesanais, Educação cidadã e Qualificação profissional do Ministério da Pesca e Aqüicultura com pescadores de São Félix do Araguaia, Luciara, Porto Alegre do Norte e Santa Terezinha, Estado do Mato Grosso.
Eram uns 80 pescadores e pescadoras de São Félix e Luciara reunidos debaixo de um galpão. Falei um tempo sobre o Projeto, dos desafios do governo Lula de cuidar dos mais pobres, dos cuidados com a natureza e o meio ambiente, agora que está por acontecer a COP-15 em Copenhage, Dinamarca, sobre as mudanças climáticas e todas as suas perversas conseqüências para o Brasil e o mundo, da importância de eles aprenderem a ler e escrever, para poderem melhor se organizar e buscar seus direitos. Depois abri a palavra, perguntando que recado gostariam de mandar para o presidente. Teve quem elogiasse Lula e seu governo, quem cobrasse providencias e melhorias para os aposentados, falaram das dificuldades da vida, de como os peixes estão rareando, das medidas dos peixes que deveriam ser diferentes de outras áreas do Pantanal, da esperança que as coisas melhorem.
Sigo de São Félix para Santa Terezinha, também à beira do rio Araguaia, para um ato semelhante no dia seguinte, numa caminhonete com tração nas quatro rodas e marcha reduzida, que é garantia de poder chegar no lugar previsto. Saímos quase às cinco da tarde para chegar às duas da madrugada, eu, mais o Tadeu responsável pelo Projeto no Estado, Romualdo contratado para ajudar e Maria Luíza, cubana que acompanha sua implantação. Noite, atravessamos matos e florestas em pequenas trilhas onde só passa um carro, passamos por pontes em que você nunca sabia se ia chegar do outro lado, ladeamos assentamentos, áreas indígenas, imensidões onde, por quilômetros e quilômetros, horas, não sei via uma única luz acesa, muito menos qualquer cidade ou povoado.
Repete-se a cerimônia com presença e participação de cerca de 100 pescadoras e pescadoras de Santa Terezinha e Porto Alegre do Norte. Os problemas são os mesmos, mas há alegria no ar. Depois dos discursos, homens e mulheres, poetas e cantores exibiram toda sua arte em formas de versos, de melodias, de piadas, de hinos.
O Pescando Letras procura responder à dificuldade dos pescadores e pescadoras artesanais de permanecerem na escola. Não é o horário convencional que dita o tempo de trabalhar e o tempo de descansar. Quando escolas e classes de alfabetização funcionam, pescadores e pescadoras estão em seus barcos pescando. O objetivo do projeto é implantar cinco projetos pilotos de alfabetização, um por região do Brasil, em Santa Catarina, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Bahia e Pará, integrado à educação cidadã e à qualificação profissional. As aulas são realizadas durante o período de defeso de cada localidade, quando há proibição temporária da pesca, época da piracema. Serão seis meses para a alfabetização e dois meses de pós-alfabetização, para a Educação Cidadã, organizada pela Rede TALHER de Educação Cidadã, e para a Qualificação Profissional.
O método usado é o "Sim, eu posso’, cubano, desenvolvido pelo Instituto Pedagógico Latinoamericano e Caribenho (IPLAC), integrado aos Círculos de Cultura, originados nos trabalhos do Movimento de Cultura Popular, coordenado por Paulo Freire.
Pedro, com todo seu amor ao povo e à sua gente, poderá ver agora pescadoras e pescadores pescando letras e peixes. Assim poderão ler e saborear seus poemas, declamados no mundo inteiro, de amor à vida, de amor ao povo. Como ele sempre diz, podem tirar-nos tudo, menos a esperança. Ou, onde não há utopia, não há futuro.
Garantir o alimento do corpo, um rio Araguaia cheio de peixes, abrir o espaço para o alimento do espírito, a luz das letras e da palavra escrita, é o desafio. O Mato Grosso não pode ser apenas território de bois, pastagens, soja e florestas devastadas. É, sobretudo, o território das águas, dos povos originais, dos que preservam o meio ambiente e dos constroem um Brasil para todos os brasileiros, uma América Latina livre e soberana. Assim como Pedro sempre lutou e sonhou, junto com pescadoras e pescadores, agora também de letras, não só de peixes.
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Famílias em área portuária incomodam a Prefeitura de Rio Grande
11/11/09
A expansão portuária é um assunto delicado pois mexe não só com o futuro econômico da cidade mas com a vida de mais de cinco mil pessoas. Por isso, estas famílias devem ser tratadas com dignidade, dando-lhes voz e vez neste processo - que deve ser totalmente democrático. Entretanto, esta não é a postura que vem sendo tomada pela Prefeitura Municipal, que nestes últimos cinco anos tem demonstrado cada vez menos paciência junto às comunidades envolvidas. Um exmplo:foi lamentável a maneira como a Prefeitura Municipal se apresentou durante audiência pública sobre a expansão portuária, comandada pelo Ministério Público Federal.
O evento ocorreu no auditório do Centro de Convívio dos Meninos do Mar (CCMar), durante a tarde da última quarta-feira. O encontro foi conduzido pelo procurador Pedro Antônio Roso.
Na ocasião, os representantes do Poder Executivo demonstraram total falta de paciência e de interesse com os moradores presentes - os quais representaram as mais de mil famílias que deverão ser realocadas devido ao desenvolvimento do porto.
A procuradora jurídica do Município, Stella Simões, chegou a dizer que só permanecia no local “devido ao respeito que tinha para com o promotor do Ministério Público Estadual, José Záchia Alan”, fazendo pouco da presença do procurador federal Rose, de Canoas, que atualmente está substituindo o procurador de Rio Grande.
Outro momento polêmico foi quando o prefeito Fábio Branco disse que entregaria as chaves das quatro casas destinadas às famílias que ainda vivem no canteiro de obras do dique seco. E que, caso estas não aceitassem as unidades habitacionais, as repassaria para outras famílias da cidade. Ao anunciar sua saída devido aos compromissos anteriormente agendados, Branco falou que a Prefeitura não tinha mais o que negociar, deixando o caso nas mãos do Ministério Público (MP). Hoje, quatro famílias de pescadores ainda moram nas Barraquinhas. Eles não aceitam o tipo de habitação oferecida pela Prefeitura, na Barra Velha.
É esse o tipo de governo que fala trabalhar por um Rio Grande para todos. Agora, resta-nos saber quem se enquadra no contexto “todos”, uma vez que uma dos fatos mais abordados durante a audiência foi justamente a maneira com que a Prefeitura Municipal tem tratado o processo de expansão portuária, ou seja, excluindo a comunidade dos debates, firmados apenas com o porto e as empresas envolvidas. O resultado é o descontentamento escancarado dos moradores, os quais estão apreensivos com a falta de interesse político e das diversas fazes e posições desta história...
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Olívio Dutra
06/07, Ex-Governador do RS e Ministro das Cidades

Selvino Heck
06/07, Assessor Especial do Presidente da República Da Coordenação nacional do Movimento Fé e Política

Laerte Dorneles Meliga
06/07, Militante Social e Membro do Governo Lula
Endereço do Gabinete:
Rua General Neto - 373 - Centro
Rio Grande/RS
Telefone:53 8113 3418