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Famílias em área portuária incomodam a Prefeitura de Rio Grande

11/11/09

A expansão portuária é um assunto delicado pois mexe não só com o futuro econômico da cidade mas com a vida de mais de cinco mil pessoas. Por isso, estas famílias devem ser tratadas com dignidade, dando-lhes voz e vez neste processo - que deve ser totalmente democrático. Entretanto, esta não é a postura que vem sendo tomada pela Prefeitura Municipal, que nestes últimos cinco anos tem demonstrado cada vez menos paciência junto às comunidades envolvidas. Um exmplo:foi lamentável a maneira como a Prefeitura Municipal se apresentou durante audiência pública sobre a expansão portuária, comandada pelo Ministério Público Federal.

O evento ocorreu no auditório do Centro de Convívio dos Meninos do Mar (CCMar), durante a tarde da última quarta-feira. O encontro foi conduzido pelo procurador Pedro Antônio Roso.

Na ocasião, os representantes do Poder Executivo demonstraram total falta de paciência e de interesse com os moradores presentes - os quais representaram as mais de mil famílias que deverão ser realocadas devido ao desenvolvimento do porto.

A procuradora jurídica do Município, Stella Simões, chegou a dizer que só permanecia no local “devido ao respeito que tinha para com o promotor do Ministério Público Estadual, José Záchia Alan”, fazendo pouco da presença do procurador federal Rose, de Canoas, que atualmente está substituindo o procurador de Rio Grande.

Outro momento polêmico foi quando o prefeito Fábio Branco disse que entregaria as chaves das quatro casas destinadas às famílias que ainda vivem no canteiro de obras do dique seco. E que, caso estas não aceitassem as unidades habitacionais, as repassaria para outras famílias da cidade. Ao anunciar sua saída devido aos compromissos anteriormente agendados, Branco falou que a Prefeitura não tinha mais o que negociar, deixando o caso nas mãos do Ministério Público (MP). Hoje, quatro famílias de pescadores ainda moram nas Barraquinhas. Eles não aceitam o tipo de habitação oferecida pela Prefeitura, na Barra Velha.  

É esse o tipo de governo que fala trabalhar por um Rio Grande para todos. Agora, resta-nos saber quem se enquadra no contexto “todos”, uma vez que uma dos fatos mais abordados durante a audiência foi justamente a maneira com que a Prefeitura Municipal tem tratado o processo de expansão portuária, ou seja, excluindo a comunidade dos debates, firmados apenas com o porto e as empresas envolvidas. O resultado é o descontentamento escancarado dos moradores, os quais estão apreensivos com a falta de interesse político e das diversas fazes e posições desta história...

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