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Bullying - Uma prática a combater.

28/05/10

Bullying – uma prática a ser combatida.
* Dirceu Lopes
 Urgentemente a sociedade brasileira precisa tomar uma atitude drástica contra a prática do BULLYING nas escolas brasileiras. Sensibilizar educadores, famílias e sociedade para a existência do problema e suas reais conseqüências, buscando despertá-los para o reconhecimento do direito de toda criança e adolescente a freqüentar uma escola segura e solidária, capaz de gerar cidadãos conscientes do respeito à pessoa humana e às suas diferenças.
O termo BULLYING, de origem inglesa, corresponde a um conjunto de atitudes de violência física e/ou psicológica e compreende todas as formas de atitudes agressivas, intencionais e repetidas, que ocorrem sem motivação evidente, adotadas por um ou mais estudantes contra outro(s), causando dor e angústia, e executadas dentro de uma relação desigual de poder. Portanto, os atos repetidos entre iguais (estudantes) e o desequilíbrio de poder são as características essenciais, que tornam possível a intimidação da vítima.
É dever da sociedade como um todo identificar e combater o preconceito, a violência e a covardia entre alunos.
No Brasil, as pesquisas e a atenção voltados ao tema ainda se dão de forma incipiente. A Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência (ABRAPIA) se dedica a estudar pesquisar e divulgar o fenômeno Bullying desde 2001.
No período compreendido entre novembro e dezembro de 2002 a março de 2003, a Abrapia realizou uma pesquisa, por meio de questionários distribuídos a alunos de 5ª a 8ª série de 11 escolas, no Estado do Rio de Janeiro. De lá para cá cresceu muito o Bullying nas Escolas Brasileiras. Mesmo defasados os resultados, naquela época, apontaram alguns dados bastantes significativos:
·         Dos 5.482 alunos participantes, 40,5% (2.217) admitiram ter tido algum tipo de envolvimento direto na prática do Bullying, seja como alvo (vitima), seja como autor (agressor).
·         Houve um pequeno predomínio do sexo masculino (50,5%) sobre o sexo feminino (49,5%) na participação ativa nas condutas do Bullying.
·         As agressões ocorrem principalmente na própria sala de aula (60,2%) durante o recreio (16,1%) e no portão das escolas (15,9%).
·         Em torno de 50% dos alvos (vitimas) admitem que não relataram o fato aos professores, tampouco aos pais.
O que devemos estar atentos é o fato que os estudos apontam que os agressores (bullies) possuem uma maior probabilidade de praticarem atos de delinqüência e criminalidade. As pesquisas ainda apontam que as crianças e adolescentes autores do bullying tendem de fato a adotar comportamentos anti-sociais nos primeiros anos da vida escolar. A maioria deles se comporta assim por uma nítida falta de limites em seus processos de educação. Não há dúvida que o fenômeno bullying estimula a delinqüência e induz a outras formas explicitas de violência, capazes de produzir, em níveis diversos, cidadãos estressados, com baixa auto estima e reduzida capacidade de autoexpressão. Além disso, as vitimas desta nefasta prática estão propensos a desenvolver doenças psicossomáticas, transtornos mentais leves e moderados e até psicopatologias graves.
Ainda é preciso reiterar a interferência drástica que o bullying produz no processo de aprendizado e de socialização de nossas crianças e jovens.
A sociedade como um todo, bem como os profissionais da educação, os de saúde mental, os da assistência social, os da área do Direito (juízes, promotores, advogados e delegados de polícia) devem adquirir o máximo de conhecimento sobre este fenômeno. Somente desta forma, ao se depararem com o problema, poderão contribuir para a busca de soluções eficazes para cada caso específico.
Devemos fazer o diagnóstico do bullying o mais precocemente possível, em cada realidade escolar. A partir daí, é preciso se estabelecer um diálogo amplo com todos os envolvidos no caso. Agir de forma rápida e coesa tem o objetivo nobre de evitar que os jovens envolvidos com os comportamentos bullying assimilem a mensagem social equivocada de que os problemas podem ser resolvidas com violência ou anulação moral dos mais fracos.
Agir precautoriamente antes que seja tarde. Construir uma nova cultura de paz nas nossas escolas.

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